quinta-feira, fevereiro 25, 2010

1ª Eliminatória das V Olimpíadas de Biotecnologia 2009/2010

Realizou-se no passado dia 24/02/2010 a 1ª Eliminatória das V Olimpíadas de Biotecnologia 2009/2010.

Todos os alunos das turmas de Biologia do Colégio Valsassina participaram nesta prova.

As classificações relativas às questões de escolha múltipla foram:

JOÃO FRANCISCO SOUSA 18
JOSÉ MARIA PATTO 15
CATARINA PIMENTA 13
HUGO BENTO 12
RICARDO MIGUEL PEDRO 12
ANA BEATRIZ COSTEIRA 11
ANA RITA FERRITO 11
BÁRBARA SALES 11
MADALENA GARRIDO 11
MADALENA PERDIGOTO 11
MARIA DE GAMBOA DIAS 11
MATILDE CONCEIÇÃO 11
PEDRO SÁ 11
ANA CATARINA NUNES 10
CATARINA OLIVEIRA 10
MARIA LUISA GONÇALVES 10
MÓNICA SILVEIRA 10
ANDRÉ PEDRO 9
ANTÓNIO DELGADO 9
ANA FILIPA MENDES 9
ANA MARGARIDA COSTA 9
MARIANA MARTINHO 9
MARIA TERESA DOUWENS 9
MARTIM LICO 9
NOEMI FAMILIAR 9
VALENTIM CAETANO 9
ANA SOFIA CAVACO 8
ANA TERESA SILVEIRA 8
CATARINA FAROPPA 8
CATARINA GOMES 8
FRANCISCO NUNES 8
INÊS MOEDAS 8
JOÃO ALVES 8
LEONOR PAIS 8
ANA DELGADO 7
EMMA RODRIGUES 7
MADALENA COSTA 7
NUNO GUSMÃO 7
ANDRÉ PINTO 6
DIOGO MOREIRA 6
FREDERICO VILANTE 6
IARA RAMOS 6
MARIA LOUÇÃO 6
MARIANA DOTTI 6
NICOLAU GONÇALVES 6
MIGUEL SANTOS 5
RITA MARQUES 4
RICARDO CRISTINO 4


Para mais informações consultar: http://www.esb.ucp.pt/olimpiadasbio/

terça-feira, novembro 24, 2009

Semana da Ciência e Tecnologia 2009 - Dia 1

Exploração dos espaços verdes do Colégio Valsassina/Estudo da fauna do solo

domingo, novembro 08, 2009

Semana da Ciência e da Tecnologia 2009 - Programa detalhado

Já está disponível, em http://www.cienciaviva.pt/semanact/edicao2009/, o Programa detalhado das actividades a realizar no âmbito da Semana da Ciência e da Tecnologia 2009.

domingo, julho 12, 2009

Revista e-fabulations: Diário de bordo de uma viagem pela evolução

O artigo "Diário de bordo de uma viagem pela evolução" realizado pela equipa "We think" do Colégio Valsassina, no âmbito do concurso Darwin 2009, foi publicado na mais recente edição da revista e-fabulations.
Esta publicação pode ser consultada AQUI.

terça-feira, julho 07, 2009

Darwin 2009 - Equipa do Colégio Valsassina distinguida com Prémio especial de publicação e-Fabulations

Com base no desafio: Evolução de duas populações distintas de Drosophila melanogaster: selvagem e ebony foi proposto às escolas que elaborassem um documentário científico, na forma escrita ou de vídeo.
A equipa "We think" do Colégio Valsassina (Ana Filipa Louro, Guilherme Fonseca, Joana Silva - 12º1A) apresentou um trabalho a concurso o qual foi distinguido com o Prémio especial de publicação e-Fabulations.
Este trabalho pode ser consultado AQUI.

terça-feira, maio 12, 2009

Aluna do Colégio Valsassina vence final nacional das Olimpíadas de Biotecnologia

É com enorme orgulho que informamos que os nossos representantes na final nacional das Olimpíadas de Biotecnologia 2009, que decorreu no passado dia 11 de Maio, conquistaram o 1º e 4º lugar:
1º Lugar: Filipa Louro (12º 1A)
4º Lugar: Joana Silva (12º 1A)

terça-feira, maio 05, 2009

Final das Olimpíadas de Biotecnologia

É com orgulho que anunciamos a presença dos seguintes alunos do Colégio Valsassina na Final Nacional das Olimpíadas de Biotecnologia:
  • Ana Filipa Louro (12º 1A)
  • Joana Magalhães Silva (12º 1A)
  • Jorge Ferreira (11º1A)

A final realiza-se no próximo dia 11 de Maio na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto.

Para mais informações consultar http://www.esb.ucp.pt/twt/olimpiadasbio/

sábado, abril 04, 2009

Saída de campo ao PNSE (2) - Flora e Vegetação

A Flora e a Vegetação do PNSE apresentam características únicas em Portugal, que se traduzem, por um lado, na existência de cinco espécies, duas subespécies e sete formas e variedades estritamente endémicas da Serra da Estrela (SILVA & TELES, 1986) e por outro, numa zonação altitudinal muito característica, que é fruto da elevada altitude da Serra.Em termos de conservação, no que diz respeito à flora, encontram-se no Parque nove espécies de plantas incluídas no anexo II, cinco espécies incluídas no anexo IV e 23 espécies incluídas no anexo V da Directiva 92/43/CEE (“Directiva Habitats”) (JANSEN, 1997).No que se refere à zonação altitudinal, segundo SILVA & TELES (1986), a vegetação da Serra da Estrela encontra-se diferenciada em três andares, cujos limites podem oscilar, sensivelmente, de acordo com o local considerado: andar basal (até 800-900 metros), andar intermédio (de 800 a 1600 metros) e andar superior (acima dos 1600 metros).O andar basal, de acentuada influência mediterrânica, está sujeito a um aproveitamento cultural intenso por parte das populações, pelo que a vegetação natural é praticamente inexistente. Contudo, subsistem ainda alguns vestígios da vegetação natural: os azinhais e as comunidades de azereiro.Nos vários tipos de aproveitamento agrícola existentes no andar inferior salientam-se a cultura do milho, da vinha e da oliveira. O aproveitamento florestal baseia-se principalmente na plantação de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), que atinge, em vários locais, o andar intermédio.O andar intermédio corresponde ao domínio climácico do carvalho-negral (Quercus pyrenaica). Os principais tipos de vegetação natural e seminatural que se encontram neste andar são os carvalhais, os castinçais e matos de vários tipos.Nas zonas onde o coberto arbóreo se apresenta degradado encontram-se os matos. Os principais são os giestais de Cytisus multiflorus (giesteira-brava), em que também ocorre o rosmaninho (Lavandula stoechas ssp. sampaioana), os urgeirais de Erica australis ssp. aragonensis (urgeira), que se associa ao zimbro (Juniperus communis ssp. alpina) e os piornais de Genista florida ssp. polygaliphylla (piorno-dos-tintureiros), associado à giesteira-das-serras (Cytisus striatus).O andar superior corresponde, na actualidade, ao domínio do zimbro (Juniperus communis ssp. alpina). É admitido que, no passado, o pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris), o vidoeiro (Betula pubescens) e o teixo (Taxus baccata) tenham ocupado a parte superior da Serra, após o recuo dos glaciares wurmianos. Em resultado da desflorestação e, possivelmente, por influência de alterações climáticas posteriores, esta área encontra-se totalmente desprovida do coberto arbóreo primitivo. Actualmente, a vegetação da parte superior da Serra é constituída por um mosaico que inclui zimbrais, cervunais, arrelvados, comunidades rupícolas e comunidades lacustres.
(texto: www.icn.pt)

Saída de campo ao Parque Natural da Serra da Estrela (1)

A origem da Serra da Estrela...

Podemos, de uma forma sintética, iniciar a história de formação da Serra da Estrela retrocedendo a um período, que remonta a 650 milhões de anos, no Precâmbrico. Em meio marinho, foram acumulando-se sedimentos terrígenos, resultantes da erosão de continentes então existentes (Fig. 1). Este empilhamento de material sedimentar estendeu-se até ao Câmbrico médio-superior, acerca de 500 milhões de anos, atingindo uma espessura estimada em alguns quilómetros. Esses sedimentos, que apresentam características de bacias sedimentares profundas, foram depositando-se em camadas alternadas de sedimentos argilosos muito finos e sedimentos de composição arenosa fina e argilosa que, por diagénese e metamorfismo, deram origem, respectivamente, às rochas xistentas e aos grauvaques, formando o Complexo Xistograuváquico (Fig. 1) (Ferreira & Vieira, 1999).
No Devónico médio, há 380 milhões de anos, inicia-se uma fase de movimentos compressivos, designada por Fase 1, que inicia a Orogenia Hercínica, durando até ao final deste período, há 360 milhões de anos. Esta força compressiva afectou os sedimentos marinhos depositados anteriormente, provocando dobras de plano axial subvertical, com orientação NO-SE (Fig. 2) (Ferreira & Vieira, 1999).
Durante o Carbónico, há 330 milhões de anos, uma nova fase compressiva, Fase 3, origina novos dobramentos com a mesma orientação da Fase 1, instalando-se, simultaneamente e em profundidade, a grande massa de granitos (Fig. 2). Estes não se instalam num único impulso, mas ao longo de um período relativamente longo, que se inicia aos 320 e se prolonga até aos 290 milhões de anos. O final da Orogenia Hercínica, há 240 milhões de anos, é marcada pela fracturação das rochas formadas, com direcção NNE-SSW a ENE-WSW e NNW-SSE a NW-SE (Ferreira & Vieira, 1999).
Um período de tempo relativamente longo decorre então. Por erosão dos níveis superiores da crosta, esta, por alívio de carga, vai subindo, trazendo de níveis mais profundos até à superfície, as rochas aí formadas. Este período, que decorreu durante o Mesozóico, provocou o arrasamento geral do relevo e deu origem a uma superfície aplanada, que se estendia pela Península Ibérica (Fig. 3) (Galopim de Carvalho et al., 1980).
No início do Terciário, novas forças de compressão, desta vez relacionadas com os movimentos alpinos, vão provocar o rejogo das antigas falhas hercínicas, que passam de falhas de desligamento a falhas inversas.
No Miocénico superior, há 10 milhões de anos, iniciam-se os primeiros movimentos de subida dos blocos que formam a serra, que se continuou por impulsos sucessivos até ao último, que terá ocorrido há cerca de 2 milhões de anos e que marcou a sua estrutura actual (Fig. 4). Este fenómeno deu origem à elevação da montanha, por movimento em sistemas de falhas paralelas, o que originou blocos diferencialmente desnivelados, provocando o efeito de escadaria com que a Serra da Estrela se apresenta (Fig. 4). A actividade tectónica, contudo, não se extinguiu, existindo, ainda hoje, actividade neotectónica, com movimentos ao longo das grandes falhas, como provam a ocorrência de nascentes termais e de sismos, frequentes na região (Ferreira & Vieira, 1999).
No Quaternário, há registo de várias grandes glaciações, a última das quais terá atingido a Serra da Estrela à cerca de 20 000 anos, com o estabelecimento de neves permanentes e de glaciares. Estes glaciares deixaram testemunhos geomorfológicos únicos em Portugal e constituem, sem dúvida, a maior originalidade da paisagem física da Serra da Estrela (Fig. 5) (Ferreira & Vieira, 1999).
A glaciação da Serra da Estrela permitiu a existência de neves perpétuas, a partir dos 1650 metros. Isso significa que, a partir dessa altitude, as neves não fundiam de um ano para o outro, permitindo, assim, a sua compactação, dando origem ao nevado e, por fim, ao gelo. Do ponto de vista da temperatura, o nível das neves perpétuas significa uma altitude, a partir da qual a temperatura atmosférica média mensal é sempre negativa. Comparando essa situação com as temperaturas actuais, é fácil deduzir que as temperaturas eram cerca de 10º C mais baixas que actualmente (Ferreira & Vieira, 1999).

A cúpula de gelo de planalto ocupava uma superfície de 70 km2 e uma espessura que não deveria ultrapassar os 80 metros. Pelo contrário, a espessura dos gelos, nos vales, poderia ser consideravelmente maior: por exemplo, as moreias da lagoa seca (Fig. 6) permitem afirmar que a língua glaciária do Zêzere atingia 300 metros de espessura (Ferreira & Vieira, 1999).

Na Serra da Estrela, de uma forma geral, podemos distinguir 5 vales glaciários: o Vale Glaciar do Zêzere, o do Covão do Urso, o do Covão Grande, o da Loriga e o da Alforfa (Fig. 6).

O Vale Glaciar do Zêzere, alimentado pelos amplos circos do Covão da Ametade, da Candeeira e dos Covões (Fig. 6), originou a mais extensa língua glaciária da Serra da Estrela, a qual terá atingido 13 km de comprimento e a altitude mínima de 680 metros (Daveau, 1971).

No que diz respeito à geologia, a Serra da Estrela é dominada pela ocorrência de rochas graníticas hercínicas, com composição variada, desde os granodioritos aos leucogranitos, de idade compreendida entre os 340 e os 280 milhões de anos (Fig. 7). Estas intruem metassedimentos de idade Precâmbrica – Câmbrica, entre os 500 – 650 milhões de anos, relativos ao Complexo Xistograuváquico (Brigas, 1992), que representam, assim, os depósitos sedimentares mais antigos desta região (Fig. 7) (Galopim de Carvalho et al., 1990).

Além destes dois tipos de formações principais (Complexo Xistograuváquico e granitos), destacam-se, ainda, formações cenozóicas: aluviões, depósitos de vertente, terraços fluviais, depósitos fluvio-glaciários e glaciários (Fig. 7) (Ferreira & Vieira, 1999).


quinta-feira, março 26, 2009

Apurados para a 2ª eliminatória das Olimpíadas de Biotecnologia

Alunos do Colégio Valsassina apurados para a 2ª eliminatória das Olimpíadas de Biotecnologia.

(por ordem alfabética)

  • Ana Filipa Louro
  • Felipe Blauth
  • Gonçalo Pinto
  • Guilherme Fonseca
  • Inês Serrão
  • Joana Magalhães Silva
  • João Francisco Sousa
  • Jorge Miguel Ferreira
  • Leonor Caetano
  • Matilde Conceição
  • Rita Cerejeira

A 2ª eliminatória realizar-se-á no próximo dia 22 de Abril.

Para mais informações consultar http://www.esb.ucp.pt/olimpiadasbio/

domingo, março 15, 2009

200 anos de Darwin - Concurso promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian

Charles Darwin (1809-1882) foi um naturalista inglês que desenvolveu uma das mais importantes teorias científicas de sempre. Numa época em que se pensava que cada espécie tinha sido criada independentemente e que as formas dos seres vivos eram imutáveis no tempo, Darwin defende que todos descendem de um antepassado comum e que são o resultado de milhões e milhões de anos de evolução. Na sua concepção, o Homem e o macaco são parecidos porque são «primos». Com a publicação do seu livro A Origem das Espécies, em 1859, Darwin coloca-se no centro de um debate que envolve numerosos cientistas de todo o mundo, bem como diversos sectores da sociedade inglesa. No final do século XIX, a evolução era um facto finalmente aceite.

Para assinalar os 200 anos de Darwin a Fundação Calouste Gulbenkian lançou um desafio a um par constituído por um professor e um aluno. O aluno tinha de elaborar uma carta de motivação candidatando-se a uma segunda (hipotética) viagem do Beagle, enquanto o professor devia redigir um ensaio sobre a ideia de «mentor» na actualidade, tendo como ponto de comparação a relação de Darwin com o seu professor Henslow.

O nosso colégio fez-se representar pela aluna Filipa Louro (12º1A) e pelo professor João Gomes. Aqui transcrevemos os trabalhos apresentados a concurso, os quais ficaram entre os cinco finalistas.

«Ensaio do professor»

Ghandi defendeu a ideia que a educação não é uma finalidade, é um instrumento.
Mas como usar esse instrumento? Qual é a missão do professor?
Na actual sociedade, em que os lugares e os veículos da educação se situam cada vez mais na complexa teia das redes tecidas pelos espaços e tempos do trabalho e do lazer, a escola perdeu o seu papel central em termos de agência de transmissão de conhecimentos e de socialização. A constatação desta realidade não pode deixar de ter consequências na forma como a escola se estrutura e se relaciona com outras “agências de socialização”, porventura mais poderosas. No passado, a escola estruturou-se como uma das três instituições centrais da socialização e da promoção da coesão social, juntamente com a igreja e a família, em processos que integravam holisticamente a aquisição do saber, do saber-fazer e de saber-ser, num todo coerente. Neste novo contexto, a escola encontra-se agora numa relação de concorrência com outras “agências de educação”, numa situação de horizontalidade.
No contexto da globalização, os desafios colocados por uma sociedade diversificada, caracterizada por complexas interacções, com problemas sociais múltiplos, associados a conflitos difíceis, relevam a construção de uma política participada cada vez mais apoiada numa cidadania activa e num discurso público, onde são as próprias comunidades a assumir o seu futuro. Não obstante, não podemos deixar de constatar que, pela primeira vez na história do Homem, estamos a educar as nossas crianças e jovens para a vida num mundo cujo conhecimento do futuro é escasso, excepto que será caracterizado por substanciais e rápidas mudanças.
Uma resposta adequada à mudança implica novas formas de estar, suportadas em novas mentalidades e em novos comportamentos, implica uma interactividade sustentável entre o sistema societário e o sistema biofísico. À escola assiste o dever de procurar respostas flexíveis e adaptadas a este mundo em mudança. A era da comunicação e da informação exige que a escola e, em particular os professores recriem um ambiente de aprendizagem, rica em recursos, com novas tecnologias de comunicação, caracterizada pela interactividade, pela capacidade de uso individualizado e que os currículos ofereçam uma visão holística do conhecimento humano, da biosfera, do universo.
A escola deve, por isso, integrar-se numa perspectiva de educação emancipadora, assente em princípios de responsabilidade, de participação, de parcerias, de transversalidade, de solidariedade, de reflexividade, de criatividade, de formação globalizante.
Consideramos assim que é preciso romper com lógicas adaptativas. Os professores devem despertar a criatividade e o espírito crítico dos alunos, devem inquietá-los.
Afinal foi isso que Henslow fez a Darwin. Sendo professor de botânica, Henslow podia ter uma atitude do tipo “encher um recipiente de noções”, passando assim um conjunto de noções e conceitos aos seus alunos. Esta visão dos alunos como meros receptores de conhecimentos conduz inevitavelmente a uma situação de desmotivação e afastamento do sistema de ensino. Henslow optou por “acender um fogo”, desafiou o seu aluno Charles Darwin a entrar em sua casa às sextas-feiras à noite “apenas” para discutir ideias, encorajou-o a ler livros (entre os quais destacamos a clássica descrição, em seis volumes, das viagens à América do Sul de Alexander von Humboldt), realizaram saídas conjuntas.
Hoje, tal como no passado, a missão do professor é possibilitar a criação do conhecimento, mas, para conseguir aprendizagens significativas a relação entre Darwin e Henslow deve continuar a ser vista como uma referência. Devemos compreender que, ao chegarem à sala de aula, os alunos trazem consigo uma cultura que os caracteriza, cultura esta que não é pior nem melhor que a do professor. Assim, tanto aluno como o professor envolvem-se e aprendem no processo de educação.
Ao introduzir as aulas experimentais como prática de ensino generalizada Henslow permitiu a aquisição de aprendizagens significativas, pelo simples facto de potenciar inter-relações entre o mundo das ciências escolares e o das experiências dos alunos, despertando assim a sua curiosidade e interesse. Para que tal seja possível é necessário que as relações sejam afectivas, democráticas e, acima de tudo, os professores compreendam que o sujeito da criação cultural não é individual mas colectivo.
Há quem considere que Darwin obteve o seu beliche a bordo do Beagle simplesmente porque estava no lugar certo na hora certa. Decerto isso sucedeu, mas se Henslow o recomendou a FitzRoy foi porque Darwin era o melhor jovem para a função. A relação de amizade entre os dois e o clima democrático de abertura para trocar ideias terão sido decisivos para incentivar Darwin a procurar o que queria fazer. A lição que podemos daqui extrair: os professores devem estimular e contribuir para o desenvolvimento nos alunos de competências para a acção, confiança nas suas capacidades de agir, reforço para a acção e apropriação nos processos que envolvem intenção de agir.
No sua autobiografia Darwin destaca o seu amor pelas ciências, a perseverança em manter a mente livre de modo a não desistir de qualquer hipótese e a sua diligência na observação e na recolha dos factos. Não conseguimos responder à questão: «Se não tivesse existido Henslow será que Darwin era hoje recordado como um dos mais influentes homens da ciência?». Mas acreditamos que “se não acendermos o tal fogo” muitos alunos certamente não terão a sua oportunidade e dificilmente arranjarão motivação para participar em eventos que dão forma às suas vidas e ao seu lugar.
A sociedade actual exige indivíduos criativos, críticos, geradores de ideias, autónomos. Os professores têm a gratificante e divertida missão de não deixar que os seus alunos se conformem.
Prof. João Gomes

Carta para Darwin

Caro Professor Charles Darwin,

Tendo conhecimento de que V. Exa. abriu inscrições para o lugar de assistente, venho por este meio candidatar-me a acompanhá-lo nesta segunda viagem às ilhas Galápagos.
A intenção do Almirantado britânico em enviar novamente o Beagle rumo às “Ilhas Encantadas”, numa missão de pura investigação científica no campo da evolução, contrariamente à primeira expedição, particularmente centrada em fins cartográficos, despertou desde logo a minha curiosidade, e principalmente o meu desejo em incursar em tão promissora viagem, razão pela qual não podia deixar de lhe escrever.
Devo confessar que a discrição que fez das ilhas me deixou perplexa e enfeitiçada perante a luxuriante variedade de vida num local aparentemente tão inóspito. O seu livro A viagem do Beagle é para mim uma fonte de inspiração. Decerto compreende este meu sentimento quando pensa na leitura que fez da obra de Alexander von Humboldl sobre as suas viagens à América do Sul.
Considero, sem dúvida, que os primeiros dados que recolheu se tornaram na espinha dorsal de algo revolucionário. Esta segunda incursão permitirá corrigir os erros e colmatar as falhas da primeira observação, realizando uma recolha de espécimes ainda mais cuidada e exaustiva, bem como um estudo mais profundo do seu habitat e das condições e serviços do ecossistema em questão, iluminando este tema tão controverso entre os homens.
Move-me um profundo interesse pela ciência, o desejo de ter um papel activo na recolha de dados e na contribuição para novas descobertas, um entusiasmo insaciável e um conhecimento amador do naturalismo e da geologia, tendo tido contacto com os trabalhos de Charles Lyell e Carolus Linnaeus, ortodoxos, porém revolucionários.
Possuo ainda os requisitos exigidos a uma assistente incumbida de tarefas nestas áreas científicas, sendo especialista em dissecação e uma experientalista orientada para o contacto directo, possuindo os conhecimentos essenciais em desenho de campo, características que se poderão revelar úteis quer na discrição e análise dos espécimes, quer na sua preservação.
Apesar de ser a minha primeira experiência nos trópicos, experimentei o ar fresco do mar aberto já por diversas vezes, pelo que tenho noção da vida agradável, porém perigosa, que se pode levar numa prisão flutuante.
Tendo ficado curiosa com a primeira expedição, segui de perto a análise dos dados que enviou, e devo dizer que os resultados obtidos a partir dos seus achados se revelaram espantosos.
O facto de quase todas as aves terrestres serem novas, jamais terem sido descritas e muitas das quais existirem apenas nas Galápagos; de três dos sabiás recolhidos não serem apenas variedades locais, mas espécies distintas; e das tartarugas gigantes, à semelhança das iguanas-marinhas e dos próprios arbustos e cactos arbóreos serem também exclusivos deste arquipélago, são provas irrefutáveis da capacidade de transmutação e divergência das espécies da sua origem ancestral. Também a aparente semelhança, e contudo, clara distinção, entre as espécies das Galápagos e outras espécies existentes no continente sul-americano, reforça esta afirmação.
Os fósseis recolhidos mostraram-se igualmente interessantes, revelando-se parentes extintos de formas vivas, corroborando a ideia comum a inúmeros geólogos, entre os quais Lyell, de que existe uma ligação entre seres vivos e mortos, relação também presente entre os fósseis de um estrato de rocha e os fósseis do estrato que o antecede: a “lei da sucessão”.
Tais conclusões são extremamente entusiasmantes e simultaneamente perturbadoras, tendo em conta o paradigma religioso reinante. As suas descobertas mudaram o mundo.
Penso, no entanto, que ainda muito ficou por desvendar, e que existem no seu trabalho algumas oportunidades inexploradas, por ventura fruto da sua curta estadia no arquipélago, que deverão ser aproveitadas nesta segunda jornada.
Analisando o seu trabalho apercebi-me que não documenta a origem de uma única espécie, um único caso de selecção natural ou de preservação de uma raça favorecida na luta pela vida. Proponho, assim, a realização do impossível: o estudo da evolução ao vivo, pois se alguma vez uma ideia reclamou e exigiu um programa de investigação experimental, é seguramente esta.
É certo que entre a maioria dos seres vivos, a evolução se desenrola com demasiada lentidão para ser observada por um só cientista no tempo de vida da sua investigação. Mas a ciência funciona não apenas por observação directa, e os tipos de provas por inferência fornecidos pela paleontologia, biogeografia, embriologia e morfologia abragem um volume de dados não menos convincente só por ser obtido indirectamente.
Uma visão tão maravilhosa tem necessariamente de ser corroborada por um vasto acervo de provas. Urge encontrar mais evidências fósseis que permitam desvendar padrões e ligações, coleccionar espécimes que, pelo seu carácter único, permitam esboçar alguns galhos na árvore da vida, preenchendo as infinitas lacunas na história da evolução, para que, aproximando-nos, possamos contemplar o momento de divergência em si, o ponto onde uma linha se transforma em duas, a quebra da barreira entre as espécies.
Um trabalho de campo exaustivo, uma recolha diligente de provas, um estudo meticuloso da distribuição geográfica dos seres vivos, da sua forma e desenho anatómicos, das fases do seu desenvolvimento enquanto embriões, e dos seus antepassados, enterrados em rochas de eras distantes, construirá um edifício de provas crescentes, abundantes, variadas, e solidamente ligadas entre si, que tornarão a evolução em mais do que uma teoria, um facto.
A criação nunca está terminada. Ela começou um dia, mas não acabará nunca. Ela permanece numa actividade incessante para produzir coisas novas e mundos novos (Immanuel Kant, Teoria do céu). Também o Homem, e principalmente o cientista, não podem parar: a evolução está em curso permanente.
Proponho-me, assim, humildemente a embarcar a seu lado.
Cordialmente me despeço.
Ana Filipa Louro (12º 1A)

quinta-feira, março 05, 2009

Lamarck vs Darwin

A diversidade de seres que existem inspirou Darwin a pensar que alguns daqueles seres deveriam ter antepassados comuns. Isto é, apesar da enorme diversidade de seres, alguns apresentam características muito semelhantes, que levam a crer na sua origem comum. Ao longo das gerações, as espécies vão apresentando cada vez mais diferenças dos seus ancestrais selvagens. Assim, Darwin desenvolveu uma série de condições de que influenciam o aumento e diminuição das populações, tais como, a relação presa/predador; a disponibilidade de alimento; a duração de vida; a competição; o parasitismo e a cooperação. Estas condições foram o ponto de partida para a explicação da necessidade de haver indivíduos mais bem adaptados. A partir disto, Darwin desenvolveu a teoria da selecção natural. Pelo contrário, Lamarck estabeleceu duas leis para explicar a evolução: A lei do uso e do desuso, e a lei da herança dos caracteres adquiridos. Para Lamarck, os seres tinham de se adaptar ao ambiente onde viviam. Para ele, a função faz o órgão, isto é, se ocorre uma mudança brusca no ambiente, e o indivíduo passa a utilizar muito um determinado.
Matilde Conceição, 11º1B